Em Brasília, FIERN apresenta impactos da taxação na indústria salineira ao MDIC e pede revogação da medida
O diretor da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) e presidente do Sindicato da Indústria da Extração do Sal (SIESAL-RN), Airton Torres, participaram, em Brasília, de uma reunião com o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. O encontro tratou dos efeitos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre a importação de produtos brasileiros, especialmente o sal produzido no Rio Grande do Norte.
A medida tem causado preocupação no setor industrial potiguar, que é responsável por 98% da produção de sal do país. A reunião contou ainda com a presença do CEO da Salinor, Rafael Mandarino, e da diretora da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Cláudia Borges, que representou a Intersal (Porto Ilha).
Durante o encontro, Airton Torres apresentou documentos e argumentou pela revogação da tarifa. Caso a retirada imediata não seja possível, ele sugeriu o adiamento da entrada em vigor da taxação por, no mínimo, 90 dias. “Levamos informações ao MDIC que o secretário [Márcio Elias Rosa] entendeu serem muito úteis e importantes para a elaboração de um documento que está desenvolvendo, com base nos dados de muitos setores da economia nacional, para encaminhar ao governo americano”, afirmou.
Torres também entregou ao secretário uma carta enviada pela governadora Fátima Bezerra ao presidente da República, na qual solicita o fortalecimento das negociações técnicas com os Estados Unidos visando a retirada ou suspensão da tarifa.
O SIESAL-RN divulgou uma nota técnica destacando os possíveis efeitos da medida. Segundo o sindicato, cerca de 4 mil empregos diretos podem ser perdidos no semiárido potiguar. A logística de transporte também seria afetada, inclusive com o risco de inviabilizar as operações do Porto Ilha, em Areia Branca.
Atualmente, 47% das exportações realizadas pelo terminal de Areia Branca têm como destino os Estados Unidos, representando cerca de 530 mil toneladas de sal por ano. “Se a tarifa de 50% não for retirada, o nosso sal estará fora do mercado dos Estados Unidos e este é um problema muito grande, porque a indústria salineira não tem um outro mercado que possa absorver esse volume”, alertou Torres.
Dados do sindicato apontam que, se mantida, a taxação poderá tornar o Brasil dependente da importação de sal, ameaçando a sustentabilidade da produção nacional.
